sábado, 28 de janeiro de 2012

"Na serenidade dos rios que enlouquecem"



Podia dizer-te hoje, que nunca te deixei.
Por nenhum momento.
Ouvia-te chorar dentro de ti. E as tuas lágrimas inundavam as planícies, negras e acidentadas, do meu corpo pela erosão dos teus dias.
Já não tenho lugar no silêncio onde moram as gaivotas, nem na tua pele, onde dantes, desenhava constelações.
Já não deixamos as roupas debaixo dos luares dos nossos corpos, nem sentimos o galopar dos nossos corações,  por entre bosques e lábios de silêncio.

Leonid Afremov

Flamenco-(Fabian Perez, DiDuLa)

Kenny G & Fabian Perez ♫

NASCE O VERSO!.

FRANCISCO VALVERDE ARSÉNIO



Coloco a cabeça
... entre as mãos
enquanto esta fervilha;
Um rio corre entre margens!

Dentro de mim
nasce um verso
ou palavras largadas sem forma.

Largadas no poema
que vai ficando por escrever.

Perco-me na imaginação
e no rumo,
e há um cheiro
a terra lambida pelo sol;

Olho-me…
e tenho asas prateadas como os meus cabelos.

Estou longe aqui em mim;
e tu aí…
voando pelo meu quarto.

"A poesia é uma das raras actividades humanas que, no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade.
A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma - quer essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza."

Sophia de Mello Breyner Andresen

SCIENCE

JOSÉ SARAMAGO, in OS POEMAS POSSÍVEIS



Talvez o nosso mundo se convexe
... Na matriz positiva doutra esfera.

Talvez no interspaço que medeia
Se permutem secretas migrações.

Talvez a cotovia, quando sobe,
Outros ninhos procure, ou outro sol.

Talvez a cerva branca do meu sonho
Do côncavo rebanho se perdesse.

Talvez do eco dum distante canto
Nascesse a poesia que fazemos.

Talvez só amor seja o que temos,
Talvez a nossa coroa, o nosso manto.