quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHER




De um pedaço de barro foste moldada,
Tuas formas voluptuosas, arredondadas,
Seios túmidos e coxas bamboleantes ,
... Despertas frémitos de paixões escaldantes,
Num momento te transformas também,
Tuas formas ficam mais arredondadas,
Teu ventre te torna mãe.
De teu coração muitas emoções fluem arrebatadas,
Tu és uma fonte inesgotável de prazer e amor.
Tanto choras de alegria, como ris de dor.
Tal como a rosa vai definhando,
Suas pétalas olorosas vão desfolhando,
Tu Mulher perdes beleza, mas não teu Amor,
De teu coração, como das pétalas, o perfume está a exalar
Que inebriam outros corações que no éter o vão encontrar.


LUISA ROGIL




VÔO AO INFINITO




Voa...

voa
... pássaro branco
em suas asas de paz

espalha a luz
ilumina o mundo

dança...dança
girando no ar
menina-mulher

sorriso no rosto
placidez no olhar

nos montes
nos vales
canção viajante
ao infinito transporta

ao intenso brilho do sol
rodopias verdejantes prados

natureza se enleva
na doce presença
do pássaro-mulher


Ianê Mello

quarta-feira, 7 de março de 2012

A MULHER EM MIM




Olhos abertos à paisagem que fita
embaçados por cristalinas lágrimas

Olhos banhados de água e sal

A bela paisagem ali está
tão bela como sempre será

E ao olhar que a contempla
mais nítida fará a sua imagem

A mulher que em mim habita
de uma sensibiliddae doce
surpreende, por vezes, a mim mesma

Àquela pureza infantil de tempos idos
que retorna à esse coração já vivido
e nele faz morada por instantes,
por horas, por dias, por meses
até satisfeita em seus caprichos
Devolver-me a mulher que hoje sou

Essa mulher de carne e osso,
de sombra e luz,
de medo e coragem,
de amor e desamor

Sobre e acima de tudo Humana
Mulher que luta por suas crenças
aue ainda não perdeu as esperanças
no ser humano

Que chora, que sorri,
que fala manso e grita com veemência
Mulher indecifrável,
dos contrários, dos opostos que se atraem,
do direito e do avesso

Para quem a vida
é sempre um recomeço.


Ianê Mello

Esboço do dia...

Amadurecer…



Sonhei amadurecer como essência do perfume
Encobrir sulcos da pele em busca do abrigo
Ao brilho das estrelas, ao silêncio da noite
Derreti as lágrimas congeladas pelo inverno…

Voei com as nuvens de cabelos dourados
Rompidos pelo eco da força do vento
Aposentando palavras e poemas vivos
Celebrados pela nostalgia da paixão…

Vivi as chuvas em ar primaveril
O canto dos pássaros em amor-perfeito
Festejando brincadeiras de verão
Que como a água rolávamos ao chão…

Vivi o amor que dediquei a vida
Floresci e desfolhei como ramos outonais
Meditei cicatrizes nos barris de carvalho
Legando apenas ao amor o cuidado a ti…

E assim, sou palavras e emoção
Livros de vida com letras de ouro
Folhas pálidas abandonadas pelo tempo
Ao balanço uma porcelana viva, triste decoração!
Flávia Angelini

Conchas do Mar...



Ao caminhar da esperança em alegria
aos nossos pés o mar azul nos traz
conchas níveas cravadas na leveza
fertilizadas em sua beleza solitária...

Espelhos da nossa luz a refletir
um toque feminil furta-cor
nas ondulações da pele a sua dor
fechada em ninho, em esplendor...

Refletem, revelam, impressionam
a cada arrebentação a força da decisão
de vencer do amago a dor da solidão
florescer uma jóia do viver, ao coração...

Metamorfoses da vida, calcadas no sofrer
uma fenda aberta, incitando a reviver
com a água, em uma combinação infalível
transformando a dor em uma pérola do amor...
Flávia Angelini

ASAS ABERTAS




Podes te agasalhar no meu Carinho,
abrigar-te de frios no meu ninho
com as tuas asas trêmulas, incertas.

... Tu'alma lembra vastidões desertas
onde tudo é gelado e é só espinho.
Mas na minha'alma encontrarás o Vinho
e as graças todas do Conforto certas.

Vem! Há em mim o eterno Amor imenso
que vai tudo florindo e fecundando
e sobe aos céus como sagrado incenso.

Eis a minh'alma, as asas palpitando,
como a saudade de agitado lenço
o segredo dos longes procurando...

 CRUZ E SOUSA