quinta-feira, 13 de dezembro de 2012



Improvisei uma dança
Sem passos, apenas lembranças
Em versos... rascunhadas poesias
Somente toque de dedos e sensualidade
Será que a natureza te faça sorrir?

Inspirei-me num azul para te falar
mas não é o azul que me inspira
É a delícia embriagadora da tua magia...

NRAmorim



Assim te desejo...
em ti deixo as minhas carícias
nas horas de silêncio à sombra tua
minha boca a minha fonte
é o meu sussurro mansinho

desejando a boca tua

Assim te desejo...
mesmo que teu coração
já tenha tomado outro sentido
por tudo que te amo esqueço
o exaspero da lágrima
deixo o desejo da paixão livre e nua
para te amar no clarão da branca lua...

NRAmorim



Disperso em momentos
deflagro silêncio!
forçosamente me calo
respiro um recanto momento
recrio lembranças de um ninho

quando levei-te na memória
para aquele caminho...
ficando por esperar o doce beijo
imerso em horas que ressoa carinho
respiro no inverso... confesso
ouso dizer-te que és em sonho
meu desejo o enlace perfeito
por clarear os reversos do caminho
quando diz estar sozinho
revestirei meus encantos em sereia
na arrebentação do teu mar
te beijar na fina areia...

NRAmorim




Ultrapasso fronteiras, mares e desertos, insanamente entro no espaço-tempo e consumo a essência do perfume das últimas flores. Caminho despido de mim como uma escultura fria porque deixei nos esteiros do teu corpo o sentido do tempo; sinto ainda nos pés a areia doída e guardo nas mãos a poeira fina da tua silhueta. Serão sempre tuas as palavras que não escrevo contrariando a erosão dos dias e a solidão das noites. Sabes, adivinho-te os gritos surdos e o verbo imperfeito que acontece na tua cama onde há um oásis por nascer. Sente-se o desassossego por detrás do pano branco que cobre a janela na manhã que se reinicia ciclicamente no apagar das luzes. Recuso-me olhar e mordo as palavras à saída dos lábios. Caminho despido de mim mas aguardo-te na próxima rua.

 francisco valverde arsénio
 




procurei nas duas mil
e não sei quantas fotos
teus olhos...
queria ver o que eles me diriam...
já que tua alma
guardou minhas palavras sentidas...
rebusquei...rebusquei ...
não encontrei fotos novas...
voltei a fixar-me
nas que já vi tantas
e tantas vezes...sempre
com emoção
de um primeiro encontro
procurei teu rosto
como consolação
guardei esta que minha
imaginação formatou
como teu rosto...
emilio



Tenho fome de 
tua boca, 
de tua voz, teus cabelos 
e pelas ruas vou sem me nutrir, calado, 
não me sustenta o pão, 
a aurora me desconcerta,
procuro o líquido som de teus pés pelo dia.
.
Faminto estou de teu sorriso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como intacta amêndoa. "
.
Pablo Neruda

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DIA 196


JOAQUIM PESSOA, in ANO COMUM




O que leva um homem a mudar?
Talvez os erros, talvez a paixão, talvez a sombra do cansaço. Pego na tua mão e beijo-a. Pego na tua mão e danço. Pego na tua mão e apresso o movimento da terra à volta de 
nós dois. Pegar na tua mão é viver de novo a vida de uma forma inteira. Hoje, só o meu coração sabe dançar. A tua outra mão segura-o, partilha-o, é testemunha desta forma de alegria.
Escuta esta música que a noite sorri. Sente como, através dela, se excitam já os tímbalos, se apaixonam as cordas, como exulta o oboé. É uma música magnífica que se alimenta da luz, incandescendo as emoções. Pensamentos, desejos, nervos, tudo gritando por dentro. Não sinto o teu corpo, não sinto o meu corpo, tudo é transparência, tudo é fantasia, e assim são as palavras.
Movo-me contigo respirando o segredo nocturno dos desertos. Não tenho idéias, nem casa, nem sei adormecer.
Inspiro-te. Respiro-te. O cansaço é doce, estupendo, para sempre. À nossa volta tudo arde no fogo verde desta primavera, e a inquietação é um fruto excitante por colher. Não páres.
Continua a dançar comigo. Como se fizéssemos amor.