As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. Um grão de poesia basta para perfumar todo um século! O poema é o dedo do poeta apontando para o vôo do pássaro que está além das suas palavras.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
ENTRE O LUAR E A FOLHAGEM
FERNANDO PESSOA, in CANCIONEIRO
Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.
Segue-o minha alma na passagem.
Tênue lembrança ou saudade,
Princípio ou fim do que não foi,
Não tem lugar, não tem verdade.
Atrai e dói.
Segue-o meu ser em liberdade.
Vazio encanto ébrio de si,
Tristeza ou alegria o traz?
O que sou dele a quem sorri?
Nada é nem faz.
Só de segui-lo me perdi.
MORRER DE AMOR
MARIA TERESA HORTA, in DESTINO
Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
ILUSÕES
Os anos passaram...
E na lembrança ficaram
As cartas que te escrevi...
E os nossos sonhos coloridos,
Sempre vividos...
Num quadro cheio de ilusões!...
Um quadro em que os dois...
E os nossos corações,
Como crianças... brincaram...
Fingindo acreditar
Que só porque um dia
Julgáramos já saber o que era amar...
Todos os sonhos que em nós havia,
Se iriam, depois...
Concretizar.
*Manuel Sepúlveda
Fresta
Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
ILUSÕES
Os anos passaram...
E na lembrança ficaram
As cartas que te escrevi...
E os nossos sonhos coloridos,
Sempre vividos...
Num quadro cheio de ilusões!...
Um quadro em que os dois...
E os nossos corações,
Como crianças... brincaram...
Fingindo acreditar
Que só porque um dia
Julgáramos já saber o que era amar...
Todos os sonhos que em nós havia,
Se iriam, depois...
Concretizar.
*Manuel Sepúlveda
Jardins
Nascemos da terra. Somos nada mais que
a terra modificada, misturada com a água,
com o ar, com o fogo, como pensavam os
filósofos de muitos séculos atrás.
Terra, pedaço do meu corpo, meu corpo
além da minha pele, seio em que me
alimento, e, se ele secar, eu morro.
Pois é, são idéias como essas que me vêm
à cabeça quando fico ali diante do meu
altar, da minha horta, do meu jardim…
(Rubem Alves)
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