domingo, 13 de janeiro de 2013

Sei que o silêncio morde a minha boca




Paulo Eduardo Campos


Sei que o silêncio morde a minha boca.
Hoje, na melancolia de um fim de tarde,
Chamei por uma estrela solitária.
Essa que morreu antes de chamar pelo teu nome.
Sei hoje que a tua ausência
É a voz do silêncio do meu corpo,
O tempo que faltou ao nosso encontro,
Se pudesse ser outro que não eu
Talvez me pudesse despir de antigas mortes
E olhar-te na madrugada súbita dos teus olhos
E dizer-te que amanhã
É sempre o dia em que te procuro.
Amanhã, será sempre o dia em que te digo
"Amo-te"

in: 'Na serenidade dos rios que enlouquecem',Amores Perfeitos,

Violinos



Esta minha surdez enlouquece-me. 
Onde está a tua voz? Onde ficou o teu lamento? 
Jamais permitirei que oiças música sem som; sim, essa que escutas agora, peça única dum universo distante. 
Palavras acústicas, tecendo segmentos de sedução.
Momentos imaginários sobrados dos violinos.
Acorda um relâmpago de paz nos meus sentidos. Vibro.
Desafino numa emoção incontida; num monólogo evasivo.
Alou-te nos meus braços desertos.
Firo-me nos penhascos e não te encontro.
Inundas-me de sílabas controversas, nelas mergulho, afogo-me. Sinto o pulsar das cantatas fantasia; intensamente desperto num inquietar transcendente.
Narro o sonho, nos limites demarcados da minha mente. Não brilhante.
No acaso, pelas cordas onde os dedos fazem música.
Não preciso de aplausos. Não os mereço, pois roubaram-me a razão.
Podes ler-me na diagonal. Não me importo. Tudo passa.
Violinos e flautas prendem-me aos acordes quentes deste chão de fogo. Prisão de palavras por inventar.
Prendo-me nos teus olhos tristes. Sempre castanhos.
E que tocam mais alto que todas as sinfonias de todos os violinos.

(Fátima Custódio)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

“A vida é paciente e dá novas chances. 
Ela nos dá o hoje para ser diferente, para tentar novamente, para espantar a preguiça, vestir a camisa e enfrentar os medos. 
Mais um dia para arriscar ser feliz, independente do que digam, independente dos abismos e das pontes que deverão ser construídas."

Michelle Trevisani





Leda e o Cisne



A formosa Leda seria supostamente apenas mais uma beldade da mitologia grega, não fosse o seu destino marcado por acontecimentos de extrema importância. A bela estava de casamento marcado com o rei de Esparta Tíndaro. Até aí tudo corria às mil maravilhas. Porém a vida da jovem, bem como, os acontecimentos que se seguiriam não estavam tão bem acomodados assim. 



Leda descansava em seu belo jardim particular, rodeada de ninfas e jovens amas aproveitando o que a vida de uma futura rainha pode proporcionar. Quando menos esperava foi subitamente tomada de um calor intenso que subia de seu ventre corando as faces como se estivessem queimando. Olhou envergonhada para todos os lados e surpreendida não viu mais nenhuma das suas servas. Levantou-se rapidamente deixando os leves véus desnudarem seu lindo corpo.


De repente ao seu lado um enorme cisne abria as asas apontando seu sexo em sua direção. Leda jamais havia visto uma ave tão bela e de forma nenhuma, tão viril. Porém essa enorme ave era ninguém menos que Zeus em seu zoomórfico disfarce. A incauta virgem não pode resistir ao poderoso e erótico deus. Antes que pudesse cobrir-se de vergonha entregou-se à ave libidinosa com profunda excitação.


Dessa união amorosa nasceram quatro ovos que mudariam a história mitológica. Desses, os dois varões Cástor e Pólux, heróis invencíveis de muitas guerras e laureados discóbulos olímpicos. De outro ovo nasceu simplesmente Helena. Helena de Tróia que jamais foi de Esparta. E do último ovo nasceu a bela irmã de Helena, Clitemnestra a verdadeira esposa de Agamenon. O fato de Helena ter voltado para Tróia foi usado por Homero como o grande motivo em seu poema épico. Mas isso é outro capítulo dessa aventura que merece ser contado.

.

INSTANTE'





Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio

Sophia de Mello B. Andresen
‎"Um dia você aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou".

William Shakespeare



O amor é como a criança: deseja tudo o que vê.

William Shakespeare