As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. Um grão de poesia basta para perfumar todo um século! O poema é o dedo do poeta apontando para o vôo do pássaro que está além das suas palavras.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
A noite é o destino do dia,
Sinto-me vaga-lume,
No sol em poente…
Chegam as estrelas,
Conto as cadentes,
Troco-as pelos grãos de areia,
Que trago colados ao peito,
Dos castelos despenhados,
Horizonte é miragem vaga,
Um vazio repleto de palavras,
Que o vento me liberta na face,
Nas lágrimas que se escrevem,
A meu lado jazem garrafas,
Vidro fundido a frio,
Cheias de oxigénio d`amor,
Que enchi de horas em asfixia,
De sonhos e de poemas,
Ouso o gesto de libertá-las,
Num derradeiro aceno,
Deixo as asas das ondas levá-las,
Naufragas na sua espuma,
No areal solitário fico eu…
Suspensa nas minhas próprias lágrimas!
[Na garrafa vai meu amor solidificado…]
C.C.
E eu viageiro de mim…
Tenho pressa de não ter distâncias,
de me encontrar frequentemente
no remanso da minha mansidão.
A espontaneidade é que me guia
pelo imprevisto dos caminhos
rumo a uma qualquer direcção…
No tempo
no espaço
que traço
num frenesim,
cá dentro
no pensamento
num encalço
fora de mim.
Por sendas e veredas me comovo
num espanto de vida e de magia,
neste bem querer, de navegar…
(Por estradas calcorreadas e gastas
não há mais nada para inventar…)
Principal, é a boa companhia
é um bom senso comum
na atitude de caminhar.
Perceber que os ensejos
me levam a qualquer lado,
e eu sou de qualquer lugar.
(Porque o meu destino
é não ter destino nenhum.)
O imprescindível, é o chegar…
É o regresso acolhedor e aconchegante.
Onde bem longe da minha incoerência
preciso pôr a salvo qualquer imprudência.
Aqui onde tudo acontece, ora e doravante.
Onde deambulo em ti num doce adejo,
a esmo dessa inocência premente e nua,
dentro do teu mais apetecível desejo,
onde por ti me perco, em ti me desfaleço
e por ti renasço, de uma carícia tua.
Onde se afigura, que nada é impossível,
neste cosmos cingido pelo sol e a lua.
(Rui Tojeira)
de ti para ti
tu estavas à minha espera
para jantar
e eu não mais conseguia lá chegar
ia atrasar-me
porque: ainda tinha de ir tomar banho
por-me bonita para ti
para mim...
havia sempre algo
alguém...
que travava meu caminho
agarrando meu tempo
mais uma vez
olhei a sintonia
apressada do relógio
não te queria perder
pelo caminho
mas o sonho não parava
arrastava-se
para pesadelo...
nisto um volte face
a sorte mudou:
fui acordada pela chamada
estridente de telemóvel
minha filha mais velha
sofia a minha salvadora
de pesadelos
chegou
ainda a tempo
de ver teu sorriso
iluminado pelas velas
da mesa
emilio casanova
Quando ela fala...
Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.
Meu coração dolorido
As suas mágoas exala,
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.
Pudesse eu eternamente,
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.
Minha alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.
(Machado de Assis)
Se estes fossem meus últimos versos...
Se estes fossem meus últimos versos...
Talvez falasse de meus desejos...
Falaria de segredos do por do sol...
Dos amigos que amo...
E de inimigos que sem querer...
Cruzaram meu caminho...
Falaria dos medos,das fraquezas
Das saudades que nunca revelei...
Se estes fossem meus últimos versos...
Confessaria o meu amor...
E morreria feliz!
(Pablo Neruda)
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