As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. Um grão de poesia basta para perfumar todo um século! O poema é o dedo do poeta apontando para o vôo do pássaro que está além das suas palavras.
terça-feira, 12 de março de 2013
NÓS MULHERES
Nada mais contraditório do que ser mulher
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas, num único olhar.
Nós as mulheres
Tão suberanas amantes da vida
Tão guerreiras lutadoras
Para ter uma luta vencida,
Galgamos cada degrau do dia a dia
Seja de noite ou de dia
Não só é a professora dedicada
Mas também advogada
E vem a astronauta com a sua ousadia.
Que importa a profissão
Somos nós as mulheres declamando a união.
Olhando ao distante entre a porta semi-aberta
A prole minguando, decaída,
Longe do fogão, a vida desperta,
No livro, a força da alforria,
Nós as mulheres
Executiva, lixeira, e guerreira
Militar, médica e poetisa
Até a mecânica ou ferreira
Também a costureira e a da limpeza
Pinta a tela, baila, e profetisa!
Nós mulheres
Choramos, sorrimos, reivindicamos
Abraçamos nossos ideais, lema...
O sonho? Ah, viaja e encontramos
No poetar as estrelas um poema
No real pé no chão sem dilema,
Não apagamos a essência mulher
Mãe dedicada, amante, companheira
Unindo alegria sem a lágrima abster
Ousamos, levamos além, a bandeira
Da paz, sem guerra além fronteira
Nós as mulheres...
Estamos aqui!
Sonia Pinto
DOCE OLHAR
De olhos doces
E com um sorriso encantador
Surges nos meus diários pensamentos
Trazendo-me à vida um novo sabor..
De alma delicada
E com um coração sedutor
Surges como uma fada encantada
Perfumando o meu mundo com a tua dócil cor
Surgiste num lindo sonho
E com o teu carinho me despertas-te
Presenteaste-me com a tua ternura
E num desejo te tornas-te…
Como num conto encantado
A tua presença é pura magia
De sonhador passei a apaixonado
E a viver na mais densa fantasia..
Valdo
O Homem e a Mulher
(Victor Hugo 1801-1885)
O homem é a mais elevada das criaturas,
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono;
para a mulher um altar.
O trono exalta; o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher o coração.
O cérebro produz luz; o coração o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é um génio; a mulher um anjo.
O génio é imensurável; o anjo indefinivel.
A aspiração do homem é a suprema glória;
A aspiração da mulher a virtude extrema.
A glória traduz grandeza;
a virtude traduz divindade.
O homem tem a supremacia;
a mulher a preferência.
A supremacia representa força;
a preferência o direito.
O homem é forte pela razão;
a mulher invencivel pela lágrima.
A razão convence; a lágrima comove.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
a mulher de todos os martirios.
O heroismo enobrece; o martirio sublima.
O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher um sacrário.
Ante o templo, nós nos descobrimos;
ante o sacrário, ajoelhamo-nos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;
sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem pérola que o embeleza;
o lago tem a poesia que o deslumbra.
O homem é uma águia que voa;
a mulher um rouxinol que canta.
Voar é dominar os espeços;
cantar é conquistar a alma.
O homem tem um farol: a consciência.
A mulher tem uma estrela: a esperança.
O farol guia e a esperança salva.
Enfim...
O homem está colocado onde termina a terra;
a mulher onde começa o céu...
A palavra impossível
Adolfo Casais Monteiro
Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.
Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.
Era-me Primavera o corpo,
Flores e borboletas de cor,
Floresciam-me na pele,
Como se terra virgem fosse,
Ventre púbere de desejo,
Semente diáfana de alma,
O arado de tuas mãos,
Abriram socalcos de doçura,
E a pétalas do amor perfeito,
Brotavam aveludadas,
Nos regos de tua nascente,
De água pura e perfumada,
Libertei-me-te…
Amei-te em flor,
Como se fosses o primeiro luar,
Como se fosses o primeiro acordar,
Como se fosses a primeira vez,
Dentro de uma vida sem primavera,
Meu corpo floresceu,
Nos teus beijos favos de mel,
Nos teus abraços seguros de abrigo,
Na tua seiva que me alagava,
Fui-te flor… borboleta-amante,
Profunda e intensa primavera
C.C.
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