quarta-feira, 13 de março de 2013

Vem…



Aninha-te nos meus braços
como dantes fazias…e gostavas
Dormias e sonhavas, a mim abraçado…
e acordavas renovado
A sentires-te como um adolescente
e ao sorrires feliz novamente, crê
que voltará a paz e o esquecimento
e amarás a vida docemente.

Catarina Pinto Bastos
Não tenha pressa . 
Quando é amor mesmo, o eterno fica assim: ajustável. 
Veste bem o pensamento, aquece qualquer pé de tempo, se estica na beira da praia.









Dize:
O vento do meu espírito
soprou sobre a vida.
E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que és eterno . . . 


Cecília Meireles
In: Cânticos

VIII




Não digas: “o mundo é belo”.
Quando foi que viste o mundo?
Não digas: “o amor é triste”.
Que é que tu conheces do amor?
Não digas: “a vida é rápida”.
Como foi que mediste a vida?
Não digas: “eu sofro”.
Que é que dentro de ti és tu?
Que foi que te ensinaram
Que era sofrer? 

Cecília Meireles
In: Cânticos

XIII



Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles
In: Cânticos

''UMA CANÇÃO''



Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com sua hora
Nos mais diversos instantes...
Mas onde o instante de agora?

Mas onde a palavra "onde"?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus da minha terra
Eu canto a Canção do Exílio!

Mario Quintana
de Apontamentos de História Sobrenatural

LXXV 'Das confidencias'




Quiseste expor teu coração a nu...
E assim, ouvi-lhe todo o amoroso enleio
Ah, pobre amigo, nunca saibas tu
Como é ridículo o amor... alheio...



Mario Quintana
In: Espelho Mágico