terça-feira, 3 de julho de 2012




Desenho-te a lápis com palavras,
Tintas hibernaram na palidez da tela,
As cores adormeceram no tempo,
De um Outono enclausurado…

Pego no lápis e contorno teu rosto,
Sombreio-te os lábios de riscos-beijos,
Dou-te luz aos olhos indefinidos e tristes,
Retenho-me no teu cabelo grisalho,
Desenhando ondas de mar revolto,
Esbato a escuridão de tua alma,
Sentindo-a branca e iluminada,
Alongo-me em traços pelo teu corpo,
Que me é de perfeito encaixe…

Por momentos paro de desenhar,
As letras remexem-se angustiadas,
Sei que quando te desenho em letras,
É-me tentativa, expectativa e ânsia,
De te encontrar em meus riscos,
Palavras prisioneiras em sepulcro vivo,

Vivas são todas estas memórias,
Onde me alimento sofregamente,
Dia após dia da tua partida…

Desorientada nas linhas, riscos e círculos,
Procuro-te-me em vão no desamor,
Sentindo-te assim… tão perto de mim!

[Desenho-te a carvão com a cor do meu Amor…]

C.C.

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