terça-feira, 3 de julho de 2012

POEMA





Ao fundo, as nuvens chocam com as

casas. Os pássaros gritam e há homens

que se atiram das varandas como se

fossem vasos empurrados pelo vento.

Os carros esmagam os bichos que correm

pelo alcatrão. É quase Primavera, o frio

anuncia uma culpa antiga, a solidão

dos guerreiros. E há um outro homem

que diz: gosto das árvores, do seu tronco

e das raízes que rasgam as calçadas. Esse

homem decidira viver porque pertencia

à humidade das paredes, aos telhados de

barro, às bétulas. Era dali que lhe vinha

a força dos braços, a claridade que se lhe

prendera à pele. Era esta a sua confissão.

Mas após ter dito aquelas palavras lançou-se

para o espaço, seguindo a trajectória da chuva.
Jaime Rocha

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