sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

DE ONDE ME CHEGAM ESTAS PALAVRAS?

 
De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência.
Apenas o coração pulsando a solidão antes de ti.
Quando o teu rosto doía no meu rosto.
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas.
E os teus olhos não eram mais que um lugar escondido, onde a primavera refaz o seu vestido de corolas.
E não havia um nome para a tua ausência.
Mas tu vieste. Do coração da noite? Dos braços da manhã? Dos bosques do Outono? Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
Acendes todas as fogueiras escreves todas as palavras.
Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos quando toco o teu corpo e habito em ti.  
E a noite não existe porque as nossas bocas acendem na madrugada uma aurora de beijos.
Oh, meu amor, doem-me os braços de te abraçar, trago as mãos acesas, a boca desfeita e a solidão acorda em mim um grito de silêncio, quando o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos e se perde depois numa estrada deserta por onde caminhas nua como se estivesses triste."
 
JOAQUIM PESSOA, in OS OLHOS DE ISA

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