As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. Um grão de poesia basta para perfumar todo um século! O poema é o dedo do poeta apontando para o vôo do pássaro que está além das suas palavras.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Humildade
Toda a terra que pisas, eu qu'ria, ajoelhada,
Beijar terna e humilde em lânguido fervor;
Qu'ria poisar fervente a boca apaixonada
Em cada passo teu, ó meu bendito amor!
De cada beijo meu, havia de nascer
Uma sangrenta flor! Ébria de luz, ardente!
No colo purpurino havia de trazer
Desfeito no perfume o mist'rioso Oriente!
Qu'ria depois colher essas flores reais,
Essas flores de sonho, estranhas, sensuais,
E lançar-te aos pés em perfumados molhos.
Bem paga ficaria, ó meu cruel amante!
Se, todas elas, eu visse apenas um instante
Cair como um orvalho os teus divinos olhos!
Florbela Espanca
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