sábado, 7 de julho de 2012

RECREIO DE NUDEZ –



Como pode, mulher, haver amor?…

Se não provarmos desse fruto proibido

que se esconde no roçar dos nossos gestos…
… se não nos dermos
- numa entrega onde tudo é consentido -
sem regras… nem limites…
nem queixumes… nem protestos…

Como pode, mulher, haver amor?…

Sem teus olhos prometidos mais que cheios
desse brilho que tu usas a teu jeito
de insinuante e total descaramento…
… sem essas formas firmes dos teus seios
que se recreiam soltos no meu peito
com esse arfar de casto atrevimento…

Como pode, mulher, haver amor?…

Sem essas mãos que nos escorrem de desejo
e me contam… sussurrando aos meus ouvidos
imagens quentes de prazer e despudor…
… sem essa luz que nos revele cada beijo
e que desenhe em nossos corpos oferecidos
todas as marcas de nos darmos por amor…

Como pode, mulher, haver amor?…

Sem nossas roupas espalhadas pelo chão
que nos falem de carícias segredadas
e pecados redimidos sobre juras imortais…
… sem o teu gosto mastigado de paixão
que me convida às mais fogosas cavalgadas
pelos prados ofegantes onde crescem os teus ais…

Como pode, mulher, haver amor?…

Sem tuas pernas possuídas sobre a cama
nem espelhos nas paredes desse quarto
que nos retratem a nudez entrelaçada…
… sem o cheiro do teu gozo que me chama
a sulcar o rio que se espraia
- ledo e farto -
por minha carne em teus dedos festejada…

Ouvir falar de amor… podes ouvir…
mas poder – um só instante – amar assim…
só os deuses ou os loucos…
… ou um poeta a delirar …

Vem cá, mulher!…
… vem deixar-te em meus braços seduzir
pela febre deste amor que jorra em mim
para em teu veio se fundir… e derramar…



Arnaldo Silva

Do livro ECOS CÁLIDOS (1992)

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