As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade. Um grão de poesia basta para perfumar todo um século! O poema é o dedo do poeta apontando para o vôo do pássaro que está além das suas palavras.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Voltas
Não sabendo Amor curar,
foi a doença fazer
fermosa, para se ver,
doce para se passar.
Então, vendo a diferença
que há de vós a toda a gente,
mandou que fôsseis doente
para glória da doença.
E digo-vos, de verdade,
que a saúde anda envejosa,
por ver estar tão fermosa
em vós essa enfermidade.
Não façais logo detença,
Senhora, em estar doente,
porque adoecerá a gente
com desejos da doença.
Que eu, por ter, fermosa Dama,
a doença em que vós vejo,
vos confesso que desejo
de cair convosco em cama.
Se consentis que me vença
este mal, não houve gente
de saúde tão contente
como eu serei da doença.
Camões,"Rimas",1595
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