quinta-feira, 15 de novembro de 2012





quando visito minha velha
primeira casa
aquela da minha infância
através dos caminhos profundos
de minha memória
é como se fosse
repousar no passado

não ouso descrevê-la
porque só eu
em minhas lembranças
a possuo
está em mim no ser
naquele interior do ser
onde vivem as recordações
de minha intimidade primeira
inserida

centro de sonhos
revisito-a pela poesia
percorrendo os cantos
de meus primeiros devaneios
sim ela existe
como casa de lembrança
sonho
retida nas sombras
para lá do passado verdadeiro

não existindo mais

emilio casanova, in "Só & Cia"







Quando olho tua foto
minhas mãos ajeitam teus cabelos
docemente
Meus olhos admiram as curvas suaves
do teu rosto
Meus dedos passeam delicadamente
pelos teus lábios
com meiguice
Aperto carinhosamente
tua face
beijando tua boca com sentimento
lentamente
aspirando tua alma
para eternizar o momento.





Emilio casanova




Poesia não tem dono
não vai na procissão
é como animal selvagem
move-se descalça na floresta
sem guarda
esconde-se na folhagem
furtiva
no fim do dia
poesia amadurece nos raios da lua
animal solitário
caminha vezes e vezes
com amor
outras com ironia
muita, com dor
poesia adora andar nua
nas multidões
penetrar nos poros
na boca
nos olhos
regista recordações
para que serve na nossa vida
se não para isso
dar alegria
em cada dia.

emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos
"

GOSTO DE TI



Gosto de ti!...
Ontem... 
Hoje...
Amanhã…e até mesmo depois...
Há quanto tempo o escrevi!...

Então...
Chamaste-lhe palavras fáceis…
- Com tudo por provar...
Entre os dois!. -

Mas ainda hoje, Querida,
Não sei,
Que mais lhes possa juntar...
Ou tirar.



*Manuel Sepúlveda

Poema Dum Funcionário Cansado



António Ramos Rosa 






A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita

estreita em cada passo
e as casas engolem-nos
sumimo-nos,
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música

São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só




não cheirei
a maciez da tua pele
não afaguei 
teus formosos seios
não beijei 
teus húmidos e sedosos lábios
como ousas saber meus segredos
cheiro-te a pele
afago teus seios
beijo teus lábios
desfolho-me livro precioso
para me leres
com ternura e carinho
nos momentos de melancolia


Emilio Casanova

MARESIA DE TI



Sandra Nóbrega (Fly)

Espero por Ti no Jardim das Papoilas
Que juntos plantámos à beira-mar
Levo comigo sorrisos e jasmim
Para Te cobrir de alegria
Rosas brancas e poesia
E de afagos sem fim
Vou vestir-me da Paixão
Com que me flamejas a Alma
E levo no meu coração
As pétalas da tua calma
Pus o perfume dos sonhos
Feito da seda das tuas mãos
Viajo na maciez do teu toque
Feito de amoras silvestres
Que doces me beijam o rosto
Num sussurro que me chega
Com a maresia de Ti