segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CASTELO DE ALBUFEIRA

Cortesia da CMAlbufeira
Embora não se disponha de informação segura acerca da primitiva ocupação humana deste sítio, acredita-se que este trecho do litoral já era ocupado desde a pré-história, por populações ligadas à pesca. O seu porto teria propiciado a formação de uma povoação com alguma importância, que ao tempo da Invasão romana da Península Ibérica se denominava Baltum. A sua população, a par da actividade pesqueira, teria desenvolvido a agricultura e o comércio, trazendo um progresso económico do qual os vestígios de aquedutos, pontes e estradas são testemunho.
Cortesia da CMAlbufeira
À época da Invasão muçulmana da Península Ibérica, a partir do século VIII, teria sido fortificada, conforme atesta o seu topónimo árabe al-Buhera com o significado de Castelo do Mar. Outros autores atribuem ao vocábulo o significado de lagoa, então existente na parte baixa, que defenderia pelo lado de terra a península na qual a povoação se ergue.

A Albufeira islâmica constituía-se num povoado amuralhado no topo da escarpa rochosa, que corresponde ao actual centro histórico, dominada por um castelo. A eficácia dessa defesa é atestada pelo facto de ter sido este um dos núcleos que mais tempo permaneceram no seu domínio.
Cortesia da CMAlbufeira
À época da Reconquista cristã da Península, após a conquista de Faro, a povoação de Al-buhera foi finalmente conquistada, em 1250, pelas forças de D. Afonso III, sendo o castelo e os seus domínios doados pelo soberano aos cavaleiros da Ordem de Avis, na pessoa de seu Mestre, D. Martinho Fernandes (1 de Março de 1250).

Embora não haja informação disponível, é possível que as suas defesas tenham, a partir de então, sido recompostas. É certo que a povoação se desenvolveu nos séculos seguintes, uma vez que à época de D. Manuel I, recebeu Foral (20 de Agosto de 1504). Embora também não haja informação, as suas defesas devem ter sido reforçadas nesse período.
Cortesia da CMAlbufeira
Do século XVIII aos nossos dias:

Localizada numa falésia, a povoação foi desde sempre atingida pelos cataclismos naturais. Foi particularmente castigada pelo terramoto de 1755, cujo maremoto consequente atingiu a costa naquele trecho com ondas de mais de dez metros de altura, arrasando tudo à sua passagem. Na vila permaneceram de pé apenas 27 casas de habitação. A Igreja Matriz, na qual se refugiara parte da população, desabou, causando 227 vítimas. Embora tivessem sido iniciadas de imediato obras para reparação dos danos, a região continuou sendo sacudida por terramotos até Agosto do ano seguinte.

Em 1833, à época da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), a vila foi cercada e tomada de assalto pelas forças de José Joaquim de Sousa Reis (o "Remexido"), um capitão de guerrilhas miguelista, causando extensos danos materiais. A luta teve um saldo de cerca de 27 mortos entre ambos os lados.
Cortesia de Notícias de Albufeira, nº 16
Entre o século XIX e o XX, a vila conheceu surtos de crescimento e depressão económica. Modernamente, graças ao turismo, um expressivo surto de progresso se instalou. Pouco resta dos antigos muros medievais da vila, que não resistiram ao progresso urbano, demolidos na década de 1960 quando da contrução de um hotel. Esses remanescentes não se encontram classificados nem em vias de classificação pelo poder público português.

O castelo medieval apresentava planta no formato quadrangular, com uma torre em cada vértice. Este perímetro fortificado corresponderia à alcáçova muçulmana, acedido por duas portas: a Porta da Praça ou Porta do Ocidente, e a Porta do Mar, a Norte. Um troço desse muralhamento subsiste entre essas duas portas. A chamada Torre do Relógio, que actualmente se encontra integrada na edificação da Santa Casa de Misericórdia, era, primitivamente, uma das torres muçulmanas que defendiam a Porta da Praça, aí tendo funcionado a antiga cadeia.



TEMPESTADE DE ALMA

 
 
 
SÃO REIS, in PALAVRAS NOSSAS


 Se eu fosse tempestade
... e do céu me perdesse
se eu fosse apenas saudade
e me esquecesse
se eu fosse um trovão
sem ter aonde cair
e sem querer te fosse pedir
que me acolhesses
que também tu esquecesses
o que ficou para trás
se da noite eu me libertasse
e a dor afugentasse
para bem longe de mim
Será que o silêncio que sinto
se esvairia
será que sentiria
a dor se acalmar?
se pelo menos eu pudesse ser mar
e nele naufragar
sem destino
navegar apenas
me deixando ir
se eu tivesse o condão
de fazer acontecer
como tudo seria bem diferente
a noite não seria noite
não seria escura
teria cor e movimentos
e dela não sairiam sombras
nem lamentos
e se no meio da tempestade
eu me acabasse
mas pudesse ficar bem perto de ti
eu não me importaria de não ser
de não poder acontecer
porque te teria
e em teus braços adormeceria
até o sol de novo aparecer...




domingo, 1 de janeiro de 2012



No branco silêncio onde tantas vezes tropeço, não caio mas insegura estanco e estremeço: é a teu sussurro que me agarro e de pronto recomeço...
...
noto que como onda em praia desfaleço: eis que te reconheço no quente sonhar das palavras que me tecem quando acordo, no acorde de instrumento de cordas que desconheço mas cujo timbre guardo e desde o começo recordo...

...por teu apreço me levanto e se me apresso, no chão da tua ternura logo me arremesso e planto, como o fiz outrora, na planura do mar, no celeste campo semeado pela mais feliz visão estelar…

e entretanto, aqui dentro, o coração que te escuta sente-te a um tempo dança e música que arrebata, encanto e calor da gruta, segurança da toca, o talhe das flores de gesso no centro do tecto, a moldura, a parede que a segura e o retrato que ela enquadra, a janela cuja luz o olhar magnetiza, o apelo do longínquo que na linha do horizonte se enrosca e desliza, o poema que extraio sem esforço mas com afinco...

...no silêncio que me toca e que sinto quando atraca a noite à minha porta ou quando pela manhã, no teu corpo como em generoso porto, a luz da aurora desemboca, pressinto que esse foco, esse fogo, abarca minha boca, traça dos meus dedos a rota, despoleta a ignição, queima os medos combustíveis e por jacto e propulsão no firmamento me projecta íntegro nos teus céus indivisíveis, força que se inflama vezes sem conta, vigor que não se esgota e que repetidamente ao ilimitado ainda agora se aponta...
 

Este espaço é também um diário das minhas paixões.


A paixão é pura arte!
Assim como contemplamos um quadro-
queremos vê-lo.
Quando contemplamos uma obra artística plástica-queremos tocá-la.
É uma dança de sombra e cores que percorre pela beleza da pessoa que está formada no seu subconsciente.

Esta é uma das minhas paixões...O MAR...!

"Metade da minha alma é feita de maresia"
...

"De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua."





ANO NOVO




 Ele chegou, silencioso e enigmático,
... Com atitudes de cavalheiro,
Flores, esperanças,luar e canções de amor.
Brilha na noite em estrondo feérico,
De champanhe, velas e sonhos de fogo-luz.
Ele cativa. Ilusão de Caminho Novo,
Descobertas e mil padrões!
E repete, repete sempre as mesmas promessas,
E corta e cola os retalhos da Vida,
Sem pena nem remorso.
Menino descontraído, que constrói e destrói o puzzle alheio,
Malabarista inconsciente, que perde as bolas
E salta, ressalta na rua do silêncio, ou dos gritos?
Insensibilidade irreflectida da inocência burlesca!
Passos de vénia treinada,
Chamamento que alicia,
Passadeira vermelha e taças e passas.
Cavalheiro-menino prometes «suave»,
E semeias enigmas.
E nós te recebemos de mãos ansiosas,
Risos, fitas, confetis e rosas,
Pairamos na esperança,ofuscados nos brilhos,
Silenciamos dúvidas!
Chegaste charmoso,cavalheiro-menino,
Ilusão na noite, confronto no dia!
E os Outros?
Os da dor, da fome, das armas armadas de morte,
Menino-maravilha que lhe entregas?
Como quebras as grilhetas que prendem
E as sombras que não despertam Vida?
Tu, que chegas com aura de novo,
Faz o teu Caminho sem alianças velhas.
.
Esquece os enigmas!
Nó que desatas, L de libertar,
Desperta Esperanças e reescreve dias.
Marca padrões de Amor e de Paz.
Traz o Homem Novo, aquele, o «Solidário»
Que semeia Mudança e do Mundo faz
Família e Lar!
 
 
 
 
MANUEL ALEGRE , in SETE SONETOS E UM QUARTO


Nos teus olhos alguém anda no mar
alguém se afoga e grita por socorro
... e és tu que vais ao fundo devagar
enquanto sobre ti eu quase morro.

E de repente voltas do abismo
e nos teus olhos há um choro riso
teu corpo agora é lava e fogo e sismo
de certo modo já não sou preciso.

Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.

Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua.

A TUA MÃO

 
 
 
NUNO JÚDICE, in O ESTADO DOS CAMPOS


Tiro a mão que me esconde o triângulo,
... e ela resiste à mão que a desvia: mas
procuro acertar no seu ângulo, e entre
-ver a fresta por onde o amor corria.

Beijo essa não e ela abre o caminho
para onde me encontro e me perco.
bebendo desse cálice o puro vinho
que me libera sem sair do cerco.

Amo a tua mão que me guia e prende,
a doce mão de tão finos dedos
a que o meu desejo se rende;

e ao procurá-la, sabendo o que me faz,
deixo que me ensine os seus segredos,
e guardo-a na minha, quando ma dás.