terça-feira, 31 de janeiro de 2012

SONETO 119

JOSÉ MARIA BARBOSA DU BOCAGE, in OBRA COMPLETA - Volume I - SONETOS



Da rama escura de letal cipreste
... Em sonhos vi c'roada a bela Armia;
Alvas, mimosas carnes lhe envolvia
Da negra Morte a lutuosa veste;

Vagueava o meu bem num ermo agreste,
Onde o mocho agoirento se carpia,
Não tão meiga e gentil como algum dia,
Mas inda conservava um ar celeste.

Esta que vês (me disse em tom magoado)
Que não creste mortal, mas divindade,
É sombra vã, fantasma inanimado.

Eis ferido de amor e de saudade,
Grito, acordo, e segui-se (Oh! duro Fado!)
À funesta visão fatal verdade.

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