segunda-feira, 14 de maio de 2012

MEUS OLHOS DE ÁGUA

JOAQUIM MONTEIRO






Meus olhos de água confundem-se
Na manhã lisa
Tudo está sossegadamente verde
Lentamente a neblina desvanece
Tomando a minha pele mais nua
Ao tacto da memória.


Devagar reconheço o som do vidro
O orvalho escorrendo fino
Findo o fio do lírio.

Nada mais almejo
Senão esta névoa clara
Onde todos os hálitos da noite
Reclamam a inocência das bocas
E onde as mãos se alisam
Na erva fresca dos dentes.

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