terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Joaquim Pessoa

POEMA TRIGÉSIMO SEGUNDO
 
 

 Quando parto sem palavras, uma tristeza vai comigo
a doer-me no sangue, na raiz da fala e do afecto.
Só elas podem explicar o mistério do amor.
... Delas retiro o ouro, o trigo, a fala e a esperança. Nelas
vive o tigre e a esmeralda. Delas sopra o vento.
São curandeiras. Feiticeiras. Mensageiras. Deusas.
São o canto da alma e a voz que falta às andorinhas.
E o sorriso dos anjos. E a única coisa que Deus não inventou.
São essas palavras que ficam mudas no coração da gente
para que os beijos possam dizer tudo o que elas não dizem.

Do livro  GUARDAR O FOGO.

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